"O Evangelho da Natureza"

Discorrer sobre os mistérios do Novo Evangelho, é trazer luz sobre pungentes questões que dizem respeito, de forma objetiva, acima de tudo à humanidade em seu próprio nível. É elucidar a natureza e as correlações de dois princípios terciárias, o Espírito Santo e a Criação, e é deitar as bases de um inédito humanismo espiritual. É aprofundar e universalizar, em definitivo, aos chamados Mistérios Marianos. Em termos práticos, é reconhecer na Natureza o fundo universal que possui, em termos físico, psicológico, mental e espiritual, além, de culturalmente, conferir à Ecologia a importância que merece, a partir da identificação de uma dimensão maior a ela relacionada, enquanto parte divina. É, enfim, ancorar no foro humano as maiores realizações possíveis, em temos de saúde, amor, ciência e sabedoria. O Evangelho da Natureza é a grande chave revelada para o resgate da magia e para o reencantamento da Terra.

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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Crescendo com a Natureza*


Uma das atividades mais importantes é o contato com a Natureza. Por isto deve-se sempre fazer passeios ao ar livre, para conhecer novos lugares e coisas bonitas. Por vezes acampar e permanecer dias em contato com a Natureza, pois estes serão dias de grande alegria e felicidade. Sentimos como a Natureza nos dá forças para fazer o que devemos fazer.
Não se pode deixar de deslumbrar com a variedade das formas, cores e espécies existentes na Natureza, despertando em cada um o poeta. Sentimo-nos tão bem junto à Natureza porque isto é como retorno ao lar. Quem não se sente confortável nos braços de sua mãe? Não devemos pensar que se trate apenas de matéria. Como nós, a Natureza também tem alma, e nisto a nossa aproximação a ela é como a volta da gota para o oceano.
Existe um vínculo muito interessante entre o Espírito Santo e a Criação. Não é por acaso que a Virgens sagradas são fecundadas pelo Espírito -sem necessitar de um esposo? Este tema é muito misterioso, e tem muitas leituras. Mas, basicamente, está relacionada à compaixão que inspira o deus-Menino nascido sob condições humildes, o que espiritualmente falando não é exatamente uma criança, mas um jovem iniciado que se ilumina sob circunstâncias de necessidades.
Isto nos leva de volta ao tema do Bodhisatwa, o sublime renunciante. Os mitos deixam claro a importância do elemento feminino neste processo. No caso de Osíris isto é evidente. Mas com Jesus, os símbolos adquirem ainda maior força e apresentam véus dificilmente transponíveis. Vamos colocar as coisas assim. A condição de Bodhisatwa apresenta certos aspectos pessoais da vida do Avatar que são melhor entendidas através de símbolos. Se fôssemos olhar em termos de aparências, poderiam aparentar muitas vezes acontecimentos comuns, quando na verdade são incomuns porque o contexto é outro. Toda esta questão de Deus se fazer homem e padecer as dores humanas é muito complicada, e a humanidade, sobretudo os adversários, não hesitariam em tentar fazer parecer que isto envolveria contradições inaceitáveis e então tentar caluniar ou detratar o Avatar em seus pontos mais frágeis mas que são, paradoxalmente, os mais sublimes. Isto tudo também envolve aspectos técnicos e esotéricos que os sábios acham por bem manter velados.
O assunto sobre o Bodhisatwa é complexo, e até por isto dá margem a vários mal-entendidos. Geralmente se diz se tratar de um ser inspirado que faz votos de permanecer no mundo para salvar todos os seres renunciando ao nirvana. Mas o que isto significa realmente? Na verdade, o Bodhisatwa é um iluminado que renuncia aos frutos da própria iluminação.
Como isto é possível e porque acontece assim? É possível porque ele está sujeito a crises de tal ordem, pela expiação dos pecados alheios, que os frutos da iluminação surgem quase apenas para suprir necessidades especiais. Para entender isto, devemos compreender a natureza da própria iluminação de um Avatar, a qual se dá num proceso crítico. A crucificação de Jesus é uma dramatização deste fato, e ilustra a via dolorosa que caracteriza as altas missões. A iluminação vem como forma de compensar uma crise que naturalmente seria fatal, mas que é dado ao iniciado contornar através das energias divinas a que tem acesso, seja porque ele tem realizado uma excelente preparação prévia, seja porque tem acumulado méritos suficientes, ou ainda porque seu amor à vida o estimula a lutar com todas as forças neste momento.
E isto acontece assim por várias razões, mas naquilo que diz respeito ao mundo, serve como uma expiação dos males do mundo, e permite que muitos possam usufruir a energia divina e se prepararem para a chegada do Buda. A trajetória do Bodhisatwa nos anos que sucedem entre a iluminação e a liberação final, é dolorosa e complexa. Ele tenta trabalhar e sofre muitas incompreensões. Apresenta um quadro complexo de altos e baixos característico de sua condições tumultuada, e que naturalmente confunde as pessoas, ocasionando isto uma angústia especial.
Por isto, às vezes chega a ser difícil para as pessoas discernir um Bodhisatwa de um iniciado comum , e além disto é incômodo, porque ele é um gigante em crise. De um lado tem muito, e de outro lado tem pouco. Para usar uma imagem, podemos dizer que se um Buda é como um oceano, o Bodhisatwa se parece mais a um poço. Ele tem profundidade e água, mas é preciso olhar para dentro de sua obscuridade para encontrá-la, e isto poucos estão dispostos a fazer porque as pessoas gostam de coisas claras e evidentes. Então, o resultado é um quadro de exílio espiritual, simbolizado nas palavras de Jesus: "Pai por quê me abandonastes?". No entanto, é muito importante que se olhe para dentro do poço, tentando conhecer suas águas misteriosas, sofridas e santas, porque pode ajudar nos esforços de liberação do futuro Buda. Ocorre que este é um poço cuja água está subindo. Quando ele transbordar, deixará de ser um simples poço e tudo começa a mudar.
O Batismo da Natureza
O batismo da Natureza é outro aspecto da experiência com o Feminino Eterno. Vemos na remanescente pilosidade masculina um indício de que o homem deve preservar o contato com o rústico. O verdadeiro ambiente do homem é o mundo, o lar é apenas para o repouso. O homem deve pensar no maior, que abrange o ambiente social como prioridade, assim como a comunhão divina na expressão do sacerdócio, que quando for assunto de verdadeira vocação deverá requerer completa consagração.
O homem deve trabalhar com os diversos aspectos do feminino Eterno: a mulher, a natureza, a religião, a sociedade. O ideal é ter todos sempre presentes. Porém, em períodos é preciso dar ênfase a cada um. Estas questões estão na verdade relacionadas com as quatros etapas de vida dos hindus, as quais fundamentam ao mesmo tempo as quatro castas naturais. Todo este plano se enquadra mais do que nunca à atual e futura humanidade, com suas quatro iniciações.
Numa hierarquia relativa, colocaremos a natureza na base. Ela fortalece o homem física e moralmente. Corresponde à etapa de Estudante (Brahmacharya) e à casta do Proletário (Sudra). Depois vem a mulher ou o casamento, onde o homem experimenta a plenitude de suas emoções. Corresponde à etapa de Doméstico (Grihastha) e à casta do Comerciante (Vaishya).
Logo, a dedicação a sociedade, quando o homem cumpre seus compromissos com o próximo. Corresponde à etapa de Instrutor (Vanaprashta) e à casta do Militar (Kshatrya).
E finalmente a religião, quando o ser humano conhece os mistérios da transcendência. Corresponde à etapa de Asceta (Sannyasin) e à casta do Sacerdote (Brahmane).
Esta estrutura é natural e elementar, sendo reunindo o conjuto dos ambientes produtivos à atividade humana. Além de tudo isto está a condição do Mestre (Manu), aquele que superou todas as etapas de vida e suas classes, vindo a dirigir a sociedade como um todo na posição de Estadista (Chakravartim).
* Da obra O Batismo da Luz, LAWS.

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