"O Evangelho da Natureza"

Discorrer sobre os mistérios do Novo Evangelho, é trazer luz sobre pungentes questões que dizem respeito, de forma objetiva, acima de tudo à humanidade em seu próprio nível. É elucidar a natureza e as correlações de dois princípios terciárias, o Espírito Santo e a Criação, e é deitar as bases de um inédito humanismo espiritual. É aprofundar e universalizar, em definitivo, aos chamados Mistérios Marianos. Em termos práticos, é reconhecer na Natureza o fundo universal que possui, em termos físico, psicológico, mental e espiritual, além, de culturalmente, conferir à Ecologia a importância que merece, a partir da identificação de uma dimensão maior a ela relacionada, enquanto parte divina. É, enfim, ancorar no foro humano as maiores realizações possíveis, em temos de saúde, amor, ciência e sabedoria. O Evangelho da Natureza é a grande chave revelada para o resgate da magia e para o reencantamento da Terra.

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terça-feira, 8 de junho de 2010

A Civilização da Natureza


A expressão “Civilização da Natureza”, poderá soar contraditória aos ouvidos mais eruditos. Porém, os verdadeiros cientistas sabem que o conceito de “Civilização” tem sido bastante difícil de definir, quer dizer, as idéias de “civilizado” e de “não-civilizado” se confundem aqui e ali por todo o tempo.

Temos afirmado algumas vezes que as palavras “cultura” e “civilização” podem ser bem mais próximas do que se imagina, muito embora a obra nossa obra “Antropologia Geral – sentido & historicidade do multiculturalismo”, procure preservar esta distinção, interpondo ainda entre ambas o original conceito de “sociedade”. Usamos por critério, neste caso, a valorização do número de classes e sua superação, nestes termos “duplos”:

a. Culturas: até duas classes organizadas
b. Sociedades: até quatro classes organizadas;
c. Civilizações: até duas hierarquias manifestadas.

Assim, consideramos “Civilização” uma sociedade que detenha uma ordem humana-social completa, e ainda se ache regida por uma Hierarquia supra-histórica ou supra-humana. Esta relação nos confere seis escalões ou faixas culturas, e na atualidade nos encontramos organizando a última delas –a tarefa de constituir uma Civilizações sob a energia de uma dupla Hierarquia, a dos antigos mestres de quintessência e a dos “novos” mestres de sextessência.

Faz certo tempo que sentimos a necessidade de escrever sobre a importância das árvores, e talvez a nossa vocação social haja impresso certo direcionamento ao tema. A Ecologia é coisa que tem nos motivado ao máximo, a ponto de escrevermos “O Evangelho da Natureza” para universalizar e sacralizar o tema. Temos dedicados um ciclo de trabalhos a este país “Pindorama/Brasil”, naquilo que representa talvez a parte mais preciosa, abrangente e pragmática da nossa obra, que é o ideário do “Projeto Exodus –um Mundo para Todos”. Também oferecemos certa apologia à arvore através da obra “Os Frutos do Paraíso – O Frugivorismo e a Idade de Ouro”. No presente, tudo isto será aproveitado, e ainda muito mais, para elaborar este trabalho original.
Muitos países têm árvores como o seu símbolo nacional. É o caso do cedro no Líbano e do baobá no Senegal. Vale lembrar, não obstante, que o Brasil é o único país do mundo (moderno?) que tem o nome de árvore –e isto duas vezes, porque o nome nativo “Pindorama” significa “terra das palmeiras”. As palmeiras crescem em abundância em certas regiões do país, e acham-se presentes em todo ele através de diferentes espécies, algumas vezes com grande utilidade econômica.

As árvores e outras plantas, têm proporcionado a base da matéria-prima das ditas sociedades não civilizadas, e também grande parte da cultura rural. Flechas, paliçadas, fibras, matéria-prima para confecção de utensílios e esculturas -além dos frutos para diversos fins: pintura, alimento, combustão, etc. Se considera hoje a queima do carvão uma tecnologia poluente, porém, mais complicado do que isto é a devastação ambiental.

Mas a importância da árvore supera o campo material para adentrar na simbologia. Comumente, o símbolo da árvore visa algo de grande abrangência, uma vez que sua natureza sugere a evolução.
No Genesis, lemos sobre duas árvores famosas, a sagrada Árvore da Vida e a sempre perigosa Árvore do Bem e do Mal. Também no Apocalipse se fala da Árvore da Vida, capaz de dar frutos de cura a cada mês. No paraíso, comumente cresce uma árvore sagrada, como acontece com o imenso freixo chamado Yaggdrasil, que alcançava os céus na Asgard dos nórdicos. Seguramente, o tema inspirou Cameron, pois o aclamado filme “Avatar” ambienta os evoluídos seres naturais entre árvores especiais, para fins de culto e de residência.

Na Cabala temos a Árvore Sefirótica, que parece ter direta relação com a árvore apocalíptica, não obstante desdobrada. Temos demonstrado que cada raça-raiz se destina a desenvolver um Elemento de energia e um Alinhamento de consciência –organizados através de sucessivas tríades de chakras. No ciclo áryo, mental e ternário, apenas três tríades detinham certa expressão, estando a quarta tríade velada no alto como uma proposição divina (o tríplice Ain ou Mônada), ainda totalmente inacessível para os “mortais”.

Tríade     Alinhamento     Elemento

Primeira   Personalidade    Terra
Segunda   Alma                 Água
Terceira   Espírito              Ar
Quarta      Logos                Fogo

À imagem da função da coluna na arquitetura tradicional, a árvore é um símbolo tradicional de conexão entre o céu e a terra. Muitos grandes mitos se edificam sobre a idéia da árvore. O leito de Ulisses foi talhado de uma árvore sagrada. O templo de Jerusalém foi construído com acácias do Líbano, hoje uma árvore sagrada dos maçons.
Buda se iluminou sob uma árvore, que é a figueira, embora se a considere simbolicamente como “a árvore bodhi”. Odin foi dependurado numa árvore para escrever as runas. Osíris foi sepultado dentro de uma árvore. Jesus foi crucificado num madeiro. Os deuses maias-nahuas nascem de arvores. E assim por diante.
Inúmeras lendas falam de árvores muito úteis, comumente associadas aos deuses e aos oráculos.

Anunciando o Pralaya

Trataremos agora de conceitos jamais previstos diretamente pelo ser humano, já que tem se achado de tal forma mergulhado em idéias opostas de civilização –ainda que, “isoladamente”, vários aspectos desta ideal contra-civilizado apareça aqui e ali nas utopias concebidas pelos pensadores da cultura.

Vale notar então, que a idéia de “Criação” domina as religiões de Ocidente e Oriente, tendo nisto implícita a civilização humana. Na Índia, o termo “manvantara” apresenta uma conotação semelhante, na medida em que denota o “Dia de Brahma”, o deus criador. Seu oposto é Shiva, o deus da dissolução e do yoga, conceitos estes relacionados ao nirvana e ao pralaya, o ciclo oposto do manvantara. A palavra aproveita a palavra “alaya”, que é a anima mundi, de modo que neste outro momento da evolução cósmica, o ser humano se torna mais espiritual e interiorizado, daí a imagem da “Noite (ou sono) de Brahma”. O momento atual, prepara a transição entre estes dois grandes ciclos do mundo, a desencadear-se no final da Nova Era.

Chegado ao atual ponto crítico da evolução, havendo o ser humano protagonizado tal estado catastrófico da Natureza, cada vez ele perceberá que as soluções para os seus problemas se limitam a respeitar as leis naturais -muito embora ele também descubra que existem leis específicas para si, e que ele não necessita imitar os animais para absolutamente nada, pelo contrário, pode e deve ser realmente mais evoluído; o que naturalmente se apresenta como um grande desafio dada a inerente harmonia da Natureza, contra todos os controles que demanda a existência do livre-arbítrio.

Podemos assim entrever que, se o Manvantara ou Criação representou dez mil anos de organização da civilização e o resultante afastamento da Natureza, o Pralaya ou a desconstrução representará outros dez mil anos de reintegração com a mesma Natureza, quando o ser humano reaprenderá a conviver diretamente com ela e dela unicamente depender. Tratará então de desfazer todas as suas obras artificiais, tanto quanto isto lhe for possível, e aquilo que for de difícil decomposição, ele colocará nas melhores situações possíveis para que regressem à Natureza sem causar danos à vida (os maias, por exemplo, “sepultavam” as suas pirâmides). Os próximos milênios representam o começo da desaceleração da tecnologia e do artifício, quando o ser humano começará a repensar os seus poderes internos, tendo a Natureza como a sua grande aliada para o sadio fomento dos mesmos.

Desde o ponto de vista da arte e da arquitetura natural, edificações que se sobressaiam à Natureza são pretensões estéticas inadmissíveis. A cultura tribal, onde os homens quase desaparecem no meio da Natureza, expressam a dimensão humana tolerável ao bem estar do planeta.

Um símbolo moderno

O símbolo da Árvore poderá representar novamente este regresso à Terra, elegendo quiçá as suas raízes que penetram nas entranhas do solo. O símbolo hippie* não deixa de lembrar este reenraizamento.
Diz-se que o famoso símbolo hippie da década de 60, teve origem algo aleatória. Deriva de símbolo criado em 1958 a partir de linguagem da bandeiras, em alusão às letras D (a forma em “v) N (a forma em “I’) e de “Desarmamento Nuclear”, porém foi invertido quando se ofereceu ao Movimento Hippie, para evitar pagamentos com direitos autorais. O Movimento pelo desarma-mento nuclear havia adotado este logo, juntamente à frase “Paz e Amor: proíba a Bomba”. Assim, de algum modo o Movimento Hippie termina diretamente atrelado ao pacifismo e, dentro disto, especialmente à causa anti-nuclear.

Cabe observar, não obstante que o Ensinamento da Merkabah, oferece um símbolo próprio para isto, talvez em termos mais técnicos, na medida em que a Chave Cromática da a Cúpula de Cristal, visa oferecer esta símbolo para a energia atômica espiritual da iluminação e da criação, em contraparte ao símbolo atômica material das trevas e da destruição (ver nossa obra “Merkabah -a Cúpula de Cristal”).

A Energia Atômica

Inferior/Negativa (Material) Superior/Positiva (Espiritual)


A forma original do símbolo “ND” (Nuclear Disarmament), lembrava galhos de uma árvore, mas a forma “hippie” inversa resulta uma raiz. Também chamado “pé-de-galinha”, consta que “também foi símbolo de ecologia no mundo, pois representa uma árvore de cabeça para baixo.” (http://www.jesussite.com.br/acervo.asp?Id=1097) Sabe-se que a figueira, uma árvore tida como sagrada, pode ser plantada de cabeça-para-baixo.
Este fato termina reforçando a idéia de ser o Movimento Hippie um movimento undreground, ousider e “alternativo”. Visto de forma mais profunda, podemos ver aqui a busca pelas raízes espirituais da cultura universal. O outsider tem, afinal, muita relação com as estratégias sociais dos antigos profetas dos êxodos.
Citemos então:

“Para ser um hippie você deve acreditar na paz como a maneira resolver diferenças entre povos, ideologias e religiões. A maneira é paz é com o amor e a tolerância. Amar significa a aceitação de outra enquanto é, dar-lhe a liberdade para expressar-se e não os julgar baseados em aparências. Este é o núcleo da filosofia do hippie.
“Assim ser um hippie não é uma matéria do vestido, do comportamento, do status econômico... É uma aproximação filosófica à vida que enfatiza a liberdade, a paz, o amor e um respeito ao outro e à terra. A maneira do hippie nunca morreu. Eu acredito que há um pouco hippie em todos nós.”*

Também se pode dar profundidade ao tema agregando novas idéias e ideais à “Paz e Amor” (nas hastes do “V” invertido do símbolo, como se usa no gesto de mão), tal como é a positiva “União” (ao centro do “V”), necessária para toda a mudança cultural séria, fechando assim o seu tripé do símbolo. Por fim a haste superior poderia ser relacionada à “Verdade”.


S e atribui à “liberdade” um dos valores principais dos hippies, porém, como este palavra já foi empregada pelas revoluções materialistas da burguesia (“Liberdade, Igualdade, Fraternidade”), e considerando haver muitas formas de liberdade, cabe também caracterizar com novas idéias esta outra fase da História.
União é a chave para as grandes transformações sociais, especialmente aquelas superiores, baseadas na Ordem universal. A palavra “união” está relacionada à religião (“religare, religação”) e à yoga. Disposta na base e no centro do símbolo, ela adquire grande força, para unir tudo o que ele expressa, basicamente unir realmente paz e amor, e estes à Verdade, que é o valor maior da Idade de Ouro.

Verdade é um valor maior e deveras profundo, se consideramos a premissa oriental “Não existe religião superior à Verdade.” Assim, a união se apresenta como um meio para a Verdade maior, divina, perfeita e transcendente, tendo como bases também a Paz e o Amor.
De resto, o caráter quaternário do símbolo se revela útil diante das coisas do céu e das coisas da terra, ou de Deus e do Homem. A Trindade ou a Trimurti se resolvem num quaternário, como o tetragrammaton IHVH ou o grande Brahman. E o reino humano é em essência quaternário, daí ter haver classes sociais, quatro iniciações humanas, quatro raças, quatro humanidades, etc.
Assim, terminamos tendo como símbolo social uma imagem de árvore, especialmente as suas raízes, na busca de profundidade, espiritualidade, natureza, telurismo, interiorização, e assim por diante.


* Hippie: “O termo derivou da palavra em inglês hipster, que designava as pessoas nos EUA que se envolviam com a cultura negra, e.x.: Harry The Hipster Gibson. Em 6 de setembro de 1965, o termo hippie foi utilizado pela primeira vez, em um jornal de São Francisco, um artigo do jornalista Michael Smith. A eclosão do movimento se deu em consequencia do surgimento da chamada Geração Beat, os beatniks, uma leva de escritores e artistas que, primeiramente, assumiram os comportamentos copiados pelos hippies.” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Hippie)
** Chico Lobo, http://artes.com/sys/artista.php?op=manif&artid=35)


Da obra "O Paraíso é um Lugar entre o Céu e a Terra", Luís A. W, Salvi.

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