"O Evangelho da Natureza"

Discorrer sobre os mistérios do Novo Evangelho, é trazer luz sobre pungentes questões que dizem respeito, de forma objetiva, acima de tudo à humanidade em seu próprio nível. É elucidar a natureza e as correlações de dois princípios terciárias, o Espírito Santo e a Criação, e é deitar as bases de um inédito humanismo espiritual. É aprofundar e universalizar, em definitivo, aos chamados Mistérios Marianos. Em termos práticos, é reconhecer na Natureza o fundo universal que possui, em termos físico, psicológico, mental e espiritual, além, de culturalmente, conferir à Ecologia a importância que merece, a partir da identificação de uma dimensão maior a ela relacionada, enquanto parte divina. É, enfim, ancorar no foro humano as maiores realizações possíveis, em temos de saúde, amor, ciência e sabedoria. O Evangelho da Natureza é a grande chave revelada para o resgate da magia e para o reencantamento da Terra.

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quinta-feira, 12 de março de 2015

DE PORQUE OS GRANDES PROFETAS DEIXAM MAIS RELIGIÕES DO QUE ESCOLAS INICIÁTICAS


“Muitos são chamados, mas poucos escolhidos.” (Mt 22:14)


O trabalho dos grandes Mensageiros está sujeito a diferentes capas de distorções, dado inclusive o seu elevado teor de profundidade e de refinada socialização. A penetração destes ensinamentos num universo maior, demanda comumente passar tais revelações por um filtro descaracterizante.
Depois, existe o sério problema das Escrituras, desde a tradução (todo tradutor está limitado pela sua experiência) e a ressignificação semântica natural com passar dos tempos, até a inclusão de textos e de autores que podem representar algum desvio das ideias centrais.
Talvez se deva mencionar a presença dos falsos apóstolos, mais interessados em manipular o mestre em favor dos seus próprios interesses, como foi o caso de Judas. Será que sem esta traição as coisas teriam tomado um outro curso? Aparentemente tudo isto “estava escrito”, mas nunca se pode realmente dar um veredito final.

Porém, existe uma limitação de primeira hora que vem através da própria má vontade daqueles que teriam condições de atuar mais profunda e amplamente em favor de uma Boa Nova, e no entanto preferem se isolar nas suas torres-de-marfim, indiferentes à humanidade -a quem apenas os ensinos dos grandes iluminados sabem realmente incluir através da compaixão-, não admitindo a superioridade das propostas, dos conhecimentos e das realizações dos grandes Enviados, lacrados como estão pelas muralhas de seus egos.
Este fato está explícito na parábola das bodas do rei, onde diz:
“E enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas, e estes não quiseram vir. (...) ide, pois, às encruzilhadas dos caminhos e chamai para as bodas a quantos encontrardes (...), maus e bons.” (Mt 22:3,9-10)
Os apóstolos do Cristo foram homens bastante comuns, tirados de todas as camadas da sociedade. Não havia entre eles alguém que se poderia chamar de “Doutores”, sequer de “Doutores da Lei”. Antes, Jesus denunciava constantemente os fariseus e os saduceus, desde o alto 
de suas pompas e privilégios, como “sepulcros caiados”. O Buda fez o mesmo em relação aos Brahmanes nominais que dependiam de uma situação familiar e não vocacional. 
Os reformadores e renovadores da espiritualidade social necessitam enfrentar amiúde o atavismo das velhas crenças decadentes e esvaziadas.
Também vale lembrar que Jesus sempre falou dos “simples” (religiosos, crentes, devotos) e dos “perfeitos” (santos, sábios, iniciados) -coisas que os Cátaros sistematizaram-, onde a categoria simples deve servir como portal para a perfeição. Um perfeito que não seja também simples (ou que tenha sido) seria um falso-perfeito, arrogante e preconceituoso.
Por despeito e inveja, comodismo e sectarismo, estes iniciados medianos procuram boicotar o trabalho universal dos profetas, restando por vezes disto apenas legados menores, e ainda assim capaz de realizar grandes coisas... 
Afinal, caberá ao vulgo disseminar o seu próprio entendimento das coisas, que neste caso será mais de religião que de esoterismo. Afinal, Escolas Esotéricas sempre podem ser fundadas –bem ou mal- por iniciados, mas religiões apenas podem ser criadas sobre revelações superiores. O poder e o prestígio dos grandes mestres ante a Comunidade Espiritual das Idades, coloca todas as forças espirituais ao seu serviço possibilitando integrar pessoas mais comuns aos planos superiores e criar a civilização, coisa que os iniciados comuns são incapazes de fazer por não serem emancipados espiritualmente.
O orgulho e a disputa destes iniciados não representam nenhuma novidade. Eles são os ciclopes briguentos dos mitos gregos e são os deuses invejosos dos mundos budistas. Certa realização interior e u’a maior capacitação mental, não os livra todavia destes percalços, a “sede de poder” que Carlos Castañeda definiu como “a maior provação do homem de conhecimento”, e que apenas pode ser superado pela ultrapassagem desta iniciação ou pelo serviço pessoal aos grandes Mestres.
Estes indivíduos não possuem muita vocação para o trabalho conjunto direto, em parte porque nem deve ser assim feito por terem vocação e lideranças, de modo que se forem capazes de superar minimamente as suas contradições eles podem atuar de forma coordenada em prol de uma mudança cultural na sociedade.
É fácil imaginar então que ocorrências como a de Jesus não sejam raras, reproduzindo-se também em outras escalas e hierarquias. Em suas pesquisas sobre as linhagens sufis registradas na obra “Os Mestres de Sabedoria”, John G. Bennet observou que certo ketub (eixo ou polo espiritual) não recebia o reconhecimento explícito de seus colegas de buscas espirituais, apesar das suas elevada sabedoria e realizações...Mas também existem situações mais auspiciosas. O Buda por exemplo encontrou receptividade entre seus antigos parceiros de buscas espirituais, e a coisas assim é que de veria a profundidade e o esplendor do budismo, uma filosofia que até possui teologias mas que não dominam de modo geral.
Outra referência a isto está no mito dos “anjos caídos”, desde Lúcifer que com seu orgulho perdeu a primogenitura ante Deus. É público e notório que os Irmão da Mão Esquerda alimentam um desprezo pela humanidade, condição máxima e doentia da indiferença dos iniciados comuns. Contudo, estes seres possuem uma perigosa propensão para o conhecimento, daí o cuidado da informação através do sigilo –e, mais uma vez, da colocação de bases probatórias.Os avatares conseguiram superar aquela situação de poder, porque não se acomodaram neste grau, antes deram o passo seguinte renunciando ao poder e ao prestígio, e enfrentando as duras provações que dão acesso à iluminação do coração espiritual...
De todo modo, os iniciados de boa cepa também praticam as suas exegeses esotéricas em cima das revelações e organizam escolas de iniciação, inspirados pelo estudo comparado das filosofias, pela experiência pessoal ou por orientação interna. Devido a sua grande estatura, os anjos também apoiam estes Mestres maiores, impedindo que os seus divinos trabalhos fracassem. Por tudo isto os grandes mestres jamais deixam de vir ao mundo quando a sua hora chega e a sua presença é requisitada.

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